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Otoko Repórter Nº28 - Nerds, Geeks e Otakus


Boa noite. Estamos começando a vigésima oitava edição da coluna Otoko Repórter, um espaço informativo e opinativo no B de Bara. Este mês falaremos sobre Nerds, Geeks e Otakus. Então pergunto a você: Em qual destes grupos você acha que se enquadra? 

Muitas vezes as palavras “nerd”, “geek” e “otaku” são usadas como sinônimos e outras de formas bem excludentes, como se fossem caixinhas para classificar as pessoas. Porém, em ambos os casos, pouco se observa sobre o peso semântico de cada uma delas, e este valor só pode se entendido quando observamos as pequenas nuances de cada uma e o contexto em que surgiram.


Nerd, do preconceito ao orgulho

A palavra nerd foi usada pela primeira vez pelo cartunista e escritor norte americano Theodor Seuss Geisel ou simplesmente Dr. Seuss. O termo foi usado por ele no livro infantil “If I Ran the Zoo” no ano de 1950 e era um neologismo para caracterizar o personagem feio e com diversos problemas cognitivos e sociais.

Nesta época os livros infantis não tinham a preocupação de serem tão politicamente corretos

Outras versões dizem que o termo do Dr. Seuss acabou se associando com os pesquisadores de um centro de pesquisas energéticas no Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Nortel (Nortel Research and Development Department) no Canadá. Associando o termo aos pesquisadores que se fechavam em seus estudos. 

O termo ganhou ainda mais popularidade em 1973, depois que foi utilizado pelo escritor de ficção cientifica Philip K. Dick (que inspirou Blade Runner, Minority Report e Total Recall) para definir personagens inteligentes, mas completamente antissociais.

Das décadas de 1970 em diante a figura do nerd foi exaustivamente ridicularizada e associada a pessoas extremamente gordas ou magras, inteligentes ou com um excesso de conhecimento sobre assuntos muito específico e irrelevantes. Mas sempre mantendo a imagem de um ser antissocial.


Nos anos de 1990 a 2000 a imagem pejorativa dos Nerd foi se modificando. Muito provavelmente pelo fato de aqueles que carregavam esta alcunha terem sido nomes que modificaram a cultura (como Ernest Gary Gygax, Steven Spielberg e Stephen King) e as tecnologias que ditaram o novo século como Steve Jobs e Bill Gates

Geek, aquele que resolve

A palavra geek foi registrada pela primeira vez no American Heritage Dictionary no ano de 1976. O verbete se referia aos artistas performáticos de rua ou circos itinerantes que realizavam encenações grotescas como arrancar a cabeça de uma galinha com a boca ou comer insetos.

Com as rápidas evoluções tecnológicas da década de 1990 o termo passou a designar as pessoas que acompanhavam de perto este progresso, aprofundando-se no estudo dos novos equipamentos e resolvendo problemas sem serem de fato técnicos.


Como afinidade com computadores foi se tornando indispensável em diversos aspectos, muitos sentiram a necessidade de usar uma palavra menos pejorativa para estes “novos nerds”. Durante uma entrevista ao talk show The Colbert Report em 2007, o Secretário de Segurança, Antiterrorismo e Tecnologias, do presidente Norte Americano George W. Bush , Richard Alan Clarke, declarou que a diferença entre um geek e um nerd era que um geek fazia as coisas acontecerem.



Hoje, com a tecnologia imersa no cotidiano, os termos geek e nerd não possuem tantas diferenças apesar de muitos dizerem que geeks são mais sociáveis e nerds mais intelectuais.

Pessoalmente, prefiro não me prender a definições tão engessadas e considero ambos como sinônimos, mas com suas pequenas particularidades

Otaku, o obcecado

A palavra otaku, 御宅, é um pronome respeitoso em japonês usado para a segunda pessoa do singular. Porém, esta palavra caiu em desuso depois que passou a designar pessoas que se isolam socialmente em torno de algum tipo de obsessão. Muitas vezes esta obsessão é por jogos eletrônicos, animes e mangás, mas isso não é regra. Existe otaku de cantoras pop, academia, de moda, música e etc...


No Brasil o termo ganhou popularidade na primeira década do século XXI pela importação de muitos produtos da cultura pop japonesa. Nestes anos que os primeiros mangás em formato oriental foram publicados por aqui e que as emissoras passaram a dedicar um espaço considerável de sua programação infantil aos animês.
No ocidente a palavra otaku não carrega a conotação pejorativa que possui no Japão, designando apenas os fãs de cultura popular japonesa.

Já a palavra otome, 乙女, significa donzela e não é feminino de otaku no Japão, apenas no ocidente. Por lá, otaku é unissex.

Porém garotas que são otakus de yaoi / Boys Love / bara são designadas por um termo muito pior, fujoshi, 腐女子, que significa literalmente garota estragada. No ocidente a palavra é muito mais amena e até usada de forma cômica.

Desculpe-me se alguma leitora se sentiu ofendida

Taxonomia nerd/geek

Já vi muitas classificações de nerds e geeks baseadas nos gostos e comportamentos, porém elas sempre acabavam estereotipando, além de não englobarem muitas variações, logo sendo muito temporais. Porém, uma das melhores classificações que vi foi feita pelo youtuber e escritor Leandro Zagui que preferiu dividir-nos por aspectos psicológicos. Ele definiu quatro tipos baseados na forma como cada um interage com o seu nicho de interesse, mas não limitando ninguém a pertencer unicamente a cada um.



Imaginativos

São aqueles que exploram os aspectos subjetivos dos seus temas de interesse. Que buscam analisar os personagens psicologicamente, as mensagens passadas em cada episódio e as relações entre os personagens de seu foco de interesse bem como as referências que o mesmo faz ao nosso mundo.


- Tendem a ser muito apegados aos seus objetos de interesse, muitas vezes humanizando-os. Costumam ser pouco flexíveis quanto as suas interpretações e podem discutir horas a fio sobre o assunto.

+ Muito criativos e comunicativos, sempre estão dispostos a compartilhar um novo ponto de vista sobre seu foco.

Suas atividades de maior interesse tendem a ser a produção de fanfics, fanarts, blogs e vlogs e RPG (mais como jogadores). 

Intelectual

Engloba aqueles que tem um interesse sobre todos os detalhes técnicos do seu foco. São verdadeiras enciclopédias vivas dos detalhes objetivos do seu tema de interesse. Sabem o nome de todos os atores e locações de seus seriados, conhecem todas as obras de seu desenhista favorito, conhecem os mínimos detalhes da produção do seus jogos favoritos e etc...


- Podem ser obcecados e irritantes, principalmente quando tendem a comparar seu conhecimento ou quando contrariados.

+ Estão sempre antenados no universo do seu foco de interesse, sendo as pessoas com as informações mais confiáveis.

Muitos acabam sendo fãs curadores do seu foco ou escrevendo para sites e blogs como jornalistas. Tendem a fazer boas analises e têm um bom senso crítico. Quando jogam RPG tendem a se apegar as regras, seja como mestre ou como jogador.

Colecionador

São aqueles obcecados em ter tudo que é produzido referente ao seu foco de interesse. São consumistas vorazes e sempre atentos ao que o mercado apresenta em relação ao seu nicho de atenção.


- São facilmente impressionáveis e podem gastar muito dinheiro com itens irrelevantes. Eles também tendem a ser orgulhosos de suas coleções, por isso, tome cuidado.

É através deles que é possível se conhecer itens raros ou limitados.
Muitos deles se dedicam a ganhar dinheiro para ampliar suas coleções de itens raros, logo não tendem a produzir muita coisa. Quando são jogadores de RPG tendem a ser aqueles que tem os livros mais raros, mesmo que nunca os tenha lido.

Habilidoso

São aqueles que se concentram nos aspectos técnicos do seu foco de interesse. Gostam de platinar seus jogos favoritos, fazem fanarts perfeitas, produzem jogos e músicas baseados em seu foco de interesse e etc... mas sempre buscando a perfeição.


- Como a perfeição exige tempo, eles tendem a ser os mais isolados socialmente.
 
+ Costuma sempre estar produzindo algo com foco na qualidade e eventualmente compartilham tutoriais ou suas obras.

Eles tendem a produzir muitos vídeos técnicos, além das melhores fanarts ou esculturas. Quando jogam RPG tendem a ser excelentes narradores. 




Estava muito ansioso para a saída deste jogo e agora que pude joga-lo não me decepcionei. No Bear Nerd há uma excelente resenha sobre ele, basta clicar no título.
Onde Achar:Site oficial
Investimento: Grátis


Ao meu ver o STF acredita piamente que héteros não fazem sexo anal nem oral, só transam para reprodução e são resistentes às DSTs. Esta questão sempre volta à pauta e é adiada. Até que seja votada pessoas morrem.



A campanha é ótima, mas não é ela que coloca esta notícia no Holly Shit, mas a atitude das pessoas. O bullying e o preconceito estão tão intimamente ligados que é impossível não acreditar que as pessoas agiriam da mesma forma na frente de uma situação de racismo ou homofobia, mesmo no Brasil.



Talvez fosse para isso ser trágico, mas não deixa de ser hilário os extremos de alguns homofóbicos para se reafirmarem héteros. 




É triste que uma das cidades brasileiras que já foi sinônimo de liberdade esteja mergulhada em conservadorismo, mas podemos ver que ainda há esperança.



Sempre senti a falta de representatividade de crianças LGBTQ+ e agora a Disney mostra que está tentando corrigir isso. Mais um ponto pro Mikey. Os conservadores vão dizer que é mais uma tentativa de “engayzar” as crianças, mas se “engayzar” quer dizer torna-las mais tolerantes e empáticas então podemos dizer que é isso mesmo. 

Encerramos por aqui a vigésima oitava coluna Otoko Repórter. Espero que tenham gostado e que tenha se divertido com o quiz. Adoraria ver o resultado de vocês nos comentários. Este foi um tema que escolhi em homenagem à segunda temporada de Stranger Things que estreia neste final de semana.


Achei esta web série super fofa no facebook de um dos nossos leitores e achei que valia a pena ser compartilhada.


Não esqueçam de nos seguir nas redes sociais e lembrem-se, se quiserem podem enviar sugestões de pautas, fandoms e notícias por e-mail também.

Marduk Hunk Otoko

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